13 de Janeiro de 2011

 

SIC joga com o baralho todo

Carnaxide já pôs os trunfos na mesa para sair de vez do terceiro lugar das audiências. Júlia Pinheiro, Manuela Moura Guedes e um naipe de actores jovens e experientes podem equilibrar o jogo com a RTP. Mas os especialistas dizem que 2011 ainda vai ser da TVI.

 

A SIC tem um ano para mostrar o que vale, depois de tanto investimento aplicado na contratação de estrelas ao canal líder de audiências em Portugal, a TVI, e na compra de conteúdos que fazem furor pelo mundo inteiro, como o The Biggest Loser ou Factor X. Porém, e se correr mal? "Isso logo se vê", diz à NTV o director-geral da estação, Luís Marques. E insiste: "Mas claro que não vai correr, não pensamos nesse cenário, estamos com a maior das tranquilidades". Já o director de programas, Nuno Santos, prefere não responder à questão e não alimenta cenários negros.


Para os especialistas, porém, é difícil acreditar numa próxima oportunidade depois desta jogada milionária. O antecessor de Nuno Santos, Francisco Penim, que abandonou a empresa privada há precisamente três anos (6 de Janeiro de 2008), diz que isto "só pode mesmo ser" o ano do início da escalada das audiências. "E aponto três razões: A primeira é que a SIC nunca esteve tão mal, portanto tem de ir para cima; A segunda é que já passou muito tempo desde que a SIC começou a descer, em 1997"; A terceira, diz Penim, prende-se com o declínio da TVI, uma tendência iniciada "ainda antes da saída de José Eduardo Moniz [5 de Agosto de 2009]". O ex-director recorda que "o declive da TVI é semelhante ao da SIC, só que ninguém se apercebe disso". Caso contrário "não teriam deixado sair o Moniz e já teriam um director de programas para resolver problemas, como as duas novelas que estão em apuros".

 

Tudo ou nada nas audiências

  

Mas será que Carnaxide vai conseguir dar a volta à tabela de audiências e libertar-se do terceiro lugar (pelo segundo ano consecutivo, a estação ficou atrás da RTP1)? "Vai ser difícil inverter essa realidade, porque a SIC tem um leão  do entretenimento e da ficção nacional, que é a TVI, e que ainda atrai muitas pessoas", declara Felisbela Lopes, investigadora na área da comunicação social.

 

A universitária critica mesmo a opção da SIC em "copiar o modelo" vencedor da TVI. "Os quase 20 anos de história de televisão
privada em Portugal já deviam ter-nos ensinado que não é a ir ao quintal do líder que vamos conseguir conquistar audiências", diz, acrescentando que tem havido "uma clonagem da TVI feita pela SIC".

 

Carnaxide, contudo, optou mesmo por desferir o golpe no quintal alheio. "A estação não está a investir em conteúdos mas em pessoas", constata Eduardo Cintra Torres, crítico de televisão. O jornalista prefere não fazer vaticínios e refugia-se na frase "prognósticos só no final do ano". "Não é possível prever se 2011 é o ano da SIC porque a televisão é dinâmica e depende das escolhas dos espectadores", sublinha. Mais céptica, Felisbela Lopes contrapõe: "Se colocarem as contratações em formatos alternativos, aí sim, podem beneficiar com isso."

 

Apesar dos investimentos avultados feitos em contratações, a luta pelo primeiro lugar não é o que mais preocupa o director-geral da SIC. "As pessoas olham para os canais como se estivessem num campeonato de futebol. Claro que queremos o primeiro lugar, mas o objectivo principal é que seja uma empresa bem gerida, com a SIC e todos os canais do cabo. A mensagem que quero passar é que estamos a fazer o nosso caminho e que a SIC continue a fazer bons resultados. Estamos conscientes de que em 2011 estaremos mais competitivos", diz Luís Marques.

 

Orçamento e extravagâncias

  

"Não faço ideia onde vão buscar o dinheiro". A afirmação, em jeito de dúvida, é de Francisco Penim, mas reflecte a grande pergunta que tem sido feita no mercado nos últimos meses: onde foi a SIC buscar tanto dinheiro para investir em novas estrelas (uma dezena de actores em exclusividade e duas globe-trotters como Júlia Pinheiro e Manuela Moura Guedes)? Penim não sabe a resposta mas recorda que no seu tempo (2006-2008) "havia dinheiro para um extravagância ou outra. Se agora têm mais dinheiro? Não faço a mínima ideia", responde. Por seu lado, tal como Felisbela Lopes, Eduardo Cintra Torres relega a pergunta para a direcção financeira da Impresa. "Deve ter feito poupanças em outras áreas, cortado algumas gorduras em despesas", alvitra.

 

Para Luís Marques não há razões para sentir a corda no pescoço e revela que não há mistério para explicar de onde vêm tantos milhares de euros para as novas conquistas. "Não há mais dinheiro na SIC, há apenas uma gestão diferente. Embora as pessoas pensem isso, nós estamos a trabalhar com um orçamento de grelha igual ao que tínhamos em 2009 e 2010", explica. Nuno Santos, director de programas, corrobora e diz mesmo que se trata de "uma falsa questão". "Nos últimos anos, para saldar os nossos compromissos, tivemos um investimento muito baixo em grelha. Por exemplo, gastámos cerca de oito milhões de euros em produtos como Chiquititas e outros. Ora com esses constrangimentos atenuados vamos poder utilizar o nosso orçamento de outra forma."

 

Depois de tantas contratações, caso de Júlia Pinheiro, Manuela Moura Guedes, Rogério Samora, Helena Laureano e José Fidalgo, espera-se que a TV de Pinto Balsemão inverta a tendência de queda. "Se a SIC não subir este ano, então não consigo perceber a estratégia. Não tenho dúvidas de que estão a fazer o melhor trabalho possível. Poderá haver erros, mas errar é humano. Só que não há justificação para todos os erros", lembra Penim. O ex-director acredita que estas contratações poderão fazer que a estação suba "duas ou três décimas de audiência".

 

Com o crescimento do cabo, a batalha das audiências vai ter de ser feita com outra estratégia. "Este ano, a liderança ainda vai ser da TV generalista", antecipa Felisbela Lopes. Mas a TVI poderá ter sido o último líder incontestado e o jogo entre todos os canais deverá começar a equilibrar-se. "As audiências são cada vez mais voláteis", adverte o crítico Cintra Torres. Luís Marques também está preparado para começar a ter de jogar com novas cartas. "Vão existir muitas perturbações no mercado nos próximos anos, com mais oferta através da televisão digital terrestre, com o novo modelo de medição de audiência." Mas faz sentido investir tanto quando as generalistas podem estar a perder terreno para o cabo? "Claro", responde Luís Marques. "Terá sempre uma maior quota de consumidores, mas estamos preparados para as mudanças no que se produz, no que se exibe e no que as pessoas querem consumir."

 

NOTICIA E FOTO NOTÍCIAS TV

publicado por Portugal TV às 17:25
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Não, porque o programa é um bocado entediante.

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