06 de Agosto de 2009

 

A Ongoing substituiu a PT na compra de parte da TVI aos espanhóis da Prisa. A saída de Moniz facilita o negócio, apenas preso por detalhes.

Seria “um escândalo” se o Jornal Nacional da TVI deixasse de existir, eliminando assim “um bloco informativo de referência do panorama televisivo”. As palavras, de José Eduardo Moniz, marcaram a entrevista que deu ontem ao início da noite ao canal que dirigiu durante os últimos onze anos, e do qual se afasta agora. “O valor da liberdade é o mais importante para qualquer jornalista”, sublinhou. Horas antes, em comunicado, quando a sua saída já era oficial, Moniz afirmou que sai de “coração triste”, mas de “consciência tranquila”, pois levou a operadora à liderança das audiências. O facto de estar “farto de pressões” relativas à linha editorial, conforme confidenciou junto de várias pessoas, também terá contribuído para este desfecho.

O afastamento de Moniz, que é acusado por José Sócrates de travar uma “campanha negra” contra o Governo, abre espaço ao negócio de entrada da Ongoing, presidida por Nuno Vasconcellos, na Media Capital, proprietária da TVI/Rádio Clube/Agência Financeira.

Ao mesmo tempo, prevê-se a entrada de José Eduardo Moniz na administração da empresa da Ongoing para os media (Ongoing Media), independentemente da concretização da venda da TVI. Ontem, Moniz afirmou que tinha agora a oportunidade de ajudar a crescer um grupo que tem a ambição de se transformar numa grande empresa de comunicação social, embora não tenha referido o nome.

Para sair da TVI, Moniz terá recebido cerca de três milhões de euros, a que se juntarão outros três milhões com a entrada na Ongoing. Valores que, no entanto, não estão confirmados oficialmente.

Nuno Vasconcellos e o grupo espanhol, liderado por Luis Cebrian, continuavam ontem a manter contactos intensos com vista a um entendimento, envolvendo a compra, pela Ongoing, de uma participação accionista na Media Capital. Apesar do Expresso de Sábado passado falar num acordo de venda de 30 por cento da operadora, o PÚBLICO sabe que a meta de Vasconcellos pode chegar aos 49,9 por cento (mas para ultrapassar os 33 por cento terá de solicitar à CMVM dispensa de realizar uma OPA por não dominar a empresa). A Media Capital está registada nas contas da Prisa, que controla 94 por cento da operadora portuguesa, por 600 milhões de euros. O investimento da Prisa em Portugal beneficiou do apoio que o Estado espanhol então ainda dava à internacionalização dos seus grupos, o que permite negociar agora com base num valor inferior (500 milhões de euros).

Uma das matérias que está a ser alvo de conversações detalhadas e complexas prende-se todavia com a definição do modelo de governação que será adoptado na Media Capital já que Nuno Vasconcellos reclama uma partilha de poder (gestão) com a Prisa.

A divulgação oficial da saída de Moniz da TVI, onde há dez anos exercia as funções de director-geral, conduz (e antecipa) à entrada da Ongoing na Media Capital. Esta transacção esteve para ser realizada há cerca de dois meses pela Portugal Telecom, empresa de que Vasconcellos é administrador e accionista, e na altura foi apoiada pelo ministro das Obras Públicas, Mário Lino, que tem a tutela da PT.

Mas as críticas da Oposição quanto ao sentido estratégico e as suspeitas de que o Governo pretendia neutralizar Moniz, acabaram por a inviabilizar. Recorde-se que Sócrates e outros membros do executivo no último congresso do Partido Socialista acusaram a TVI de levar a cabo uma campanha negra contra o Governo, designadamente através do Jornal Nacional de Sexta-Feira apresentado pela jornalista Manuela Moura Guedes (casada com Moniz).

O negócio que envolvia a PT beneficiou do patrocínio de um grande accionista, o Banco Espírito Santo (BES), que tem quase 10 por cento da operadora de telecomunicações. Nos relatórios de gestão de 2008, a Ongoing surge com dívidas ao BES/BES Investimento de quase 200 milhões de euros (a família de Vasconcellos controla cerca de dois por cento da ESFG, dona do BES). Já ao BCP a holding foi buscar financiamentos de quase 400 milhões de euros. Ao todo, são 585 milhões de empréstimos, a maioria para pagar a curto prazo, tendo a empresa dado como garantias acções da PT, Zon, BES, ESFG e Impresa.

Guerra pelo controlo da Impresa mantém-se

A entrada da Ongoing na Media Capital, caso se concretize, poderá forçar um realinhamento do sector da comunicação social em Portugal. Isto no pressuposto de que Vasconcellos aceita vender os 25 por cento que possui no capital da Impresa, encabeçada por Francisco Balsemão, e dona do Expresso, Sic e Visão (entre outros). Uma solução que não agrada a Vasconcellos, dadas as relações históricas que possui com a holding, da qual a sua família é fundadora e a cujos aumentos de capital não tem faltado.

O pai, Luís Vasconcellos, grande amigo de Pinto Balsemão, foi durante vários anos número dois do Expresso. E o próprio Nuno, ainda jovem, chegou mesmo a trabalhar na VASP [distribuidora ligada a Balsemão] com a função de contar as sobras dos jornais e de ajudar na contabilidade. Mas Balsemão, o fundador e o rosto da Impresa, já avisou que a ida da Ongoing para a Media Capital é incompatível com a presença na holding. Vasconcellos contesta esta interpretação, alegando que não estão em causa posições de controlo. E embora, do ponto de vista legal não haja impedimento em estar no capital das duas empresas, juridicamente a sua presença na gestão da Impresa é discutível. De qualquer modo em cima da mesa de Balsemão está uma carta de demissão das funções de administrador da Impresa e que lhe foi entregue por Vasconcellos quando iniciou contactos com a Prisa. Tudo indica que Balsemão a poderá usar se a Ongoing ficar de facto com a Media Capital.

O projecto de afirmação de Nuno Vasconcellos arrancou em 2005 quando criou a Ongoing, para relançar os negócios da família materna. A entrada na PT há mais de quatro anos deu-lhe projecção, pois aproveitou um momento de fragilidade da operadora para adquirir uma posição de referência numa das empresas mais importantes e com grande exposição internacional. Só na PT, o empresário já investiu cerca de 600 milhões de euros.
 
NOTÍCIA E FOTO JORNAL PÚBLICO
 

 

publicado por Portugal TV às 12:35

Ver imagem em tamanho realPouco mais de um mês depois, José Eduardo Moniz sai mesmo. Em finais de Junho, em pleno dossier Portugal Telecom/TVI, Manuela Ferreira Leite acusou: "Se a PT entrar na Media Capital e José Eduardo Moniz sair, seria escandaloso." José Sócrates respondeu com um veto ao negócio. O primeiro-ministro quis evitar que a entrada da PT na Media Capital fosse vista "como uma tentativa do governo de influenciar uma qualquer linha editorial". Mas a cara dessa linha acabou mesmo por abandonar a TVI ontem, não por causa da PT mas para ocupar o lugar de vice-presidente num accionista da operadora: A Ongoing Investments, dona de 6,7% da PT e que fechou 2008 com um prejuízo consolidado de 65 milhões de euros (ver ao lado). Antes de se decidir por este rumo, Moniz foi candidato a candidato do Benfica, mas Luís Filipe Vieira trocou-lhe as voltas ao antecipar as eleições previstas para Outubro.

Sobre a saída, o ex-director geral da TVI falou primeiro aos seus colaboradores. "Obviamente saio triste", diz numa carta interna enviada terça-feira à noite onde, sem apontar razões para a mudança, sublinha que sai "de consciência tranquila". "Estou convicto de que me orientei por princípios de honestidade e isenção, não aceitando pactuar, até final, com orientações ou pressupostos susceptíveis de contaminarem o pacto de seriedade e de verdade celebrado com os espectadores", assegura. Postura que faz votos "assim continue e que se preserve o espírito livre, inconformista e batalhador desta empresa, imbuída de uma cultura de independência perante o poder".

A TVI tem estado na ribalta ao longo de 2009, posição que não deverá deixar tão cedo. Transformou-se no alvo preferido de José Sócrates - que acusa a televisão de perseguição política e o Jornal de Sexta de ser "transvestido" - e também dos grupos de comunicação. A débil situação financeira dos espanhóis da Prisa, donos da Media Capital, abriu uma janela para quem ambiciona ser dono de uma televisão e logo a líder. Primeiro foi a PT, depois falou-se em Cofina, Controlinveste e, sempre com mais insistência, na Ongoing de Nuno Vasconcellos, precisamente a empresa para onde deverá ir agora Moniz.

O futuro do ex-director geral da TVI passa então pela vice-presidência do ramo de Media da Ongoing, grupo que ganhou nome durante a Oferta Pública de Aquisição (OPA) da Sonae sobre a PT, onde apoiou esta última com o beneplácito do BCP que lhe emprestou 375 milhões de euros para financiar a compra de acções da PT, algumas a preços superiores a 9 euros e que hoje valem 7,3 euros. Em Junho do ano passado a Ongoing pagou 26,7 milhões pela Económica, dona do "Diário Económico", e ainda em 2008 reforçou a posição na Impresa, detendo hoje mais de 20% da dona da SIC. Em Dezembro de 2007 detinha apenas 1,3%.

A Ongoing planeia agora lançar um canal de economia na televisão por subscrição; quer avançar com um jornal no mercado brasileiro; e desde há um mês que corteja a Media Capital, apesar do casamento que mantém com a Impresa. Um casamento onde tentou mudar a balança do poder na semana passada, para obter mais influência sobre a gestão, oferecendo em troca uma injecção de capital nas contas da SIC. O negócio foi recusado por Pinto Balsemão.

Agora as baterias estão centradas para a Media Capital. Com uma disponibilidade de caixa de 100 milhões de euros e uma situação líquida de 50 milhões de euros. Segundo avançou ao i fonte oficial da Ongoing, o grupo está convicto de que conseguirá entrar na estrutura accionista da empresa dona da TVI. A acontecer, José Eduardo Moniz, ex-director geral da TVI, voltará a cruzar-se com a estação televisiva que, em seis anos, transformou em líder incontestável de audiências desde 2005.

"Costumo dizer, sem falsa modéstia, que se conseguiu construir a mais portuguesa das estações de televisão do país, em cumplicidade plena com os espectadores, esses sim, os nossos verdadeiros parceiros estratégicos", diz José Eduardo Moniz na sua carta de despedida aos colaboradores da TVI. "A vida é feita de ciclos. Este chegou ao fim", resume antes de um: "Até sempre."

 

NOTICIA JORNAL i

http://www.ionline.pt/conteudo/16904-jose-eduardo-moniz-troca-tvi-accionista-da-sic

 

publicado por Portugal TV às 12:19
VÍDEOS
Televisões mostram José Sócrates a preparar comunicação ao País Bloqueio à Liberdade de Informação no CascaisShopping
Em Votação:
"Peso Pesado" poderá ser a salvação das audiências da SIC?
Sim, porque é um programa cativante que fideliza o público.
Não, porque o programa é um bocado entediante.

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